sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Freud e as traduções

 

Foi  publicada este ano na Inglaterra a chamada Revised Standard Edition (RSE) da obra de Sigmund Freud, em 24 volumes. É uma boa ocasião, portanto, para retomar alguns pontos da história das traduções de Freud, um tópico que foi muito importante para diferentes recepções e apropriações da obra freudiana.

A primeira tradução do conjunto da obra de Freud não foi nem para o inglês nem para o francês, línguas para as quais, até a segunda metade do século XX, havia apenas traduções de livros isolados do psicanalista austríaco, mas sim para o espanhol, pela editora Biblioteca Nueva de Madrid, em 1922, a partir de uma indicação do filósofo José Ortega y Gasset. O próprio Freud escreveu uma carta cumprimentando o tradutor espanhol, Luiz Lopez Ballesteros, e a tradução se tornou uma referência para outras línguas neolatinas como o português, além de ser muito difundida nos países de língua espanhola da América Latina.

Foi só na década de 1950 que James Strachey, irmão do escritor e famoso biógrafo Lytton Strachey, deu início ao projeto da Standard Edition (SE), nome que recebeu a tradução da obra psicológica completa de Freud para o inglês. A publicação do último volume deste projeto foi apenas em 1974, quando o próprio Strachey já havia morrido. Para a realização da SE, Strachey precisou tomar uma série de decisões, por exemplo em questões editoriais (quais obras colocar e quais não, qual a ordem de organização) e de tradução (como converter os termos técnicos criados por Freud). Sua decisão de traduzir alguns termos freudianos usando palavras latinas, como ego, superego, catexia etc., foi muito criticada por autores como Bruno Bettelheim, pois se dizia que o inglês havia “cientificizado” desnecessariamente o texto de Freud, que no original utilizava palavras da linguagem cotidiana alemã. No entanto, o organizador da nova edição, Mark Solms, defende as opções de Strachey com dois argumentos: primeiro, que outros tradutores de Freud para o inglês já haviam usado o termo ego, por exemplo, e que este também era comumente utilizado para a tradução de textos de filósofos alemães anteriores a Freud; e, em segundo lugar, porque o costume dos textos científicos alemães, segundo Solms, seria de utilizar termos cotidianos e descritivos, enquanto os textos científicos em língua inglesa tenderiam a criar termos específicos, muitas vezes emprestando do latim e do grego, e portanto Strachey estava apenas adaptando a terminologia ao costume da língua para a qual estava traduzindo.

Mesmo com essas controvérsias, a SE se tornou a edição padrão que o seu próprio nome reivindicava, e passou a inspirar projetos semelhantes em outras línguas, como o italiano e o francês. Aqui no Brasil, no entanto, foi necessário esperar até o século XXI para se ter uma tradução direta do alemão da maior parte da obra de Freud, porque as iniciativas anteriores eram feitas a partir de outras traduções,  como o caso da editora Imago, que na década de 1980 fez uma tradução literal da SE inglesa, com todos os problemas advindos daí.

No final da década de 1970, a editora argentina Amorrortu, refletindo o grande desenvolvimento da psicanálise na Argentina, começou a publicar uma nova edição da SE em espanhol. Embora mantivesse a divisão e organização de textos e os comentários e notas de Strachey, a edição argentina empreendeu uma nova tradução do texto a partir do alemão, por José Luis Etcheverry, fazendo com que a língua espanhola passasse a ser a única a ter duas grandes traduções diferentes das obras de Freud. Além disso, a edição da Amorrortu modernizou a terminologia a partir do uso mais recente e incorporou várias obras que não haviam sido publicadas ainda na época da primeira edição da Biblioteca Nueva (que continua a ser publicada ainda hoje e incorporou esses mesmos textos em edições posteriores).

Na década de 2010, começou a ser publicada a primeira tradução da obra de Freud para o português diretamente do alemão, feita por Paulo César de Souza para a Companhia das Letras. Mas, ao mesmo tempo, a obra de Freud caiu em domínio público no Brasil, ou seja, deixou de ter direitos autorais, em 2014, quando se passaram 75 anos da morte do autor. Isso tem estimulado desde então uma série de traduções, de livros isolados ou de conjuntos de textos freudianos, com ótimos aparatos editoriais e discussões das principais questões sobre a tradução de Freud. Inclusive, a editora Autêntica tem um projeto de Obra Incompleta de Freud, que é muito interessante tanto por questionar o próprio conceito de obra completa como por incluir obras neurológicas de Freud, algo que nenhuma das Standard Editions fez, apesar do fato de Mark Solms, o organizador da edição mais recente, ser também neurologista, além de psicanalista.

Por fim, ainda estão por serem feitos estudos que analisem como a difusão da tradução da Biblioteca Nueva e, posteriormente, a SE, no Brasil e de maneira mais geral na América Latina, influenciaram a recepção da psicanálise, a terminologia utilizada e mesmo a prática dos analistas latino-americanos, em especial  daqueles que não compreendiam o alemão.

 

 

 

 

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terça-feira, 25 de junho de 2024

Lista 1. As biografias de Baudelaire

 

 


O poeta e crítico de arte francês Charles Baudelaire (1821-1867), embora tenha sido o autor de apenas um livro extenso (a famosa coletânea de poemas As flores do mal, que ele passou a vida toda aprimorando e aumentando), e tenha morrido praticamente desconhecido e cedo, com 46 anos, nunca deixou de atrair e mesmo fascinar, desde então, leitores, críticos e comentadores. Um aspecto interessante sobre Baudelaire que pretendo explorar neste post é a quantidade enorme de biografias escritas sobre ele. Adotei um critério bastante rigoroso para definir quais seriam as obras consideradas como biografias aqui, não colocando vários estudos famosos sobre Baudelaire que, embora utilizem muitos elementos biográficos, possuem também a característica de ensaios críticos, como as obras de Walter Benjamin, Jean-Paul Sartre e Theophile Gauthier, entre outros, mesmo tendo clareza de que muitas vezes é bastante complicado fazer essa separação entre crítica e biografia. Também não considerei as cronologias de sua vida e obra, que aparecem no início de várias edições de sua obra, na Bibliothéque de la Pléiade e em outras editoras (existe até um livro que é uma cronologia detalhada, quase dia a dia, da vida de Baudelaire, Charles Baudelaire: une micro-histoire, de Raymond Poggenburg), pois elas não apresentam comentários e análises, ou pequenos ensaios biográficos de poucas páginas em edições de sua obra. Um outro critério de exclusão foi eliminar as obras com menos de 200 páginas, como não sendo contribuições tão originais, com exceção da primeira, de Asselineau, de importância fundamental para esse estudo. Ao contrário, foram incluídas algumas obras que não são uma biografia geral de toda a vida de Baudelaire, mas se concentram em aspectos específicos de sua vida, como sua relação com sua mãe ou com as drogas. Este não é um estudo exaustivo: com certeza, não tenho acesso, no momento, a várias outras obras que devem ter sido escritas sobre ele. Mesmo assim, consegui listar 18 livros, o que leva à conclusão de que Baudelaire é uma das personalidades mais biografadas que conhecemos. A que se deve isso? Essa questão muito me interessa. Para tentar uma resposta rápida, sem um exame mais extenso dessas várias obras, me parece que há vários aspectos da vida de Baudelaire que tornam uma narrativa desta bastante atraente para um leitor atual: 1) o fato de As flores do mal terem sido condenadas por imoralidade na Justiça francesa e alguns de seus poemas censurados; 2) as lendas, muitas vezes alimentadas pelo próprio poeta, sobre seu “satanismo”, sua vida dissoluta e seus comportamentos bizarros; 3) a relação dele com drogas como o ópio e o haxixe, às quais dedicou um livro, Os paraísos artificiais; 4) o fato de que sua reputação sofreu uma completa reviravolta em menos de 70 anos: se, na época de sua morte, ninguém, com exceção de alguns de seus amigos escritores, conhecia Baudelaire e nenhum de seus livros estava disponível para venda, em 1931, quando a editora Gallimard criou a que se tornaria a mais prestigiosa coleção literária do mundo atual, a Bibliothéque de la Pléiade, escolheu a obra de Baudelaire para iniciá-la (sua obra mantém o número 1 na coleção da Pléiade, tendo passado por três grandes atualizações, incorporando novos textos e com diferentes organizadores, a última delas mês passado, mais uma indicação do prestígio atual do autor). Ele também deixou uma extensa correspondência, publicada em dois volumes na mesma coleção da Pléiade e fonte indispensável para todas as biografias. Mesmo assim, ainda acho que devem haver outros elementos que explicariam essa profusão de biografias, o que exigiria um estudo mais longo e mais extenso, que não cabe aqui neste blog.

A lista é a seguinte, em ordem cronológica:

1.     «Charles Baudelaire: sa vie et sa œuvre», Charles Asselineau, 1869

2.     «Baudelaire: étude biographique», Eugéne Crepet, 1887; aumentado e atualizado por Jacques Crepet, 1907

3.     “Baudelaire”, François Porché, 1926

4.     «Baudelaire et sa mère», Albert Feuilllerat, 1943

5.     «Baudelaire», Enid Starkie, 1957

6.     “Baudelaire et la Présidente”, François Porché, 1957

7.     “Baudelaire Prince of Clouds: A Biography”, Alex de Jonge, 1976

8.     «Baudelaire The Damned», F. W. J. Hennings, 1982

9.     “Baudelaire», Claude Pichois e Jean Ziegler, 1987

10.  «Baudelaire», Henri Troyat, 1994

11.  «Baudelaire: les années profondes», Michel Schneider, 1994

12.  «Baudelaire», Joanna Richardson, 1994

13.  «L'enfant idiot : honte et révolte chez Charles Baudelaire», Claude Delarue, 1997

14.  «Baudelaire in Chains: Portrait of the Artist as a Drug Addict», Frank Hilton, 2004

15.  «Baudelaire», Jean-Baptiste Baronian, 2007

16.  «Charles Baudelaire», Rosemary Lloyd, 2008

17.  “Charles Baudelaire Biographie”, Heinz Duthel, 2012

18.  «Baudelaire», Marie-Christine Natta, 2017

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Marc Bloch e a história do tempo presente

 

Leitura: BECKER, Annette. “Préface”. In BLOCH, Marc. L’Histoire, La Guerre, La Résistance. Paris: Gallimard, 2006 (Col. Quarto), p. vii-lx.


           

         Em 2006, a Gallimard, dentro da sua coleção Quarto, de livros de grande qualidade de mais de mil páginas com capa mole, lançou uma coletânea de textos do historiador francês Marc Bloch (1886-1944), que pode ser alugada gratuitamente no Internet Archive. Além de textos muito conhecidos de Bloch, como a Apologia da história, a obra reúne alguns artigos e diários sobre a sua experiência como soldado durante a Primeira Guerra Mundial, além de outras fontes ligadas a ele menos notórias mas muito interessantes, como uma série de fotos tiradas durante a mesma guerra. Só por essa coleção de vários textos de um dos mais importantes historiadores do século XX como Bloch, o livro já valeria, mas a obra ainda contém um prefácio fabuloso, erudito e muito bem escrito, da historiadora especialista em Primeira Guerra Annette Becker, que acabei de terminar de ler. Ela, além de fazer a apresentação dos textos, os relaciona com a biografia, tanto profissional como pessoal, de Bloch, revelando este, antes de tudo, como uma atormentada mas sempre perceptiva e inteligente vítima dos tempos terríveis das duas guerras mundiais.

          Bloch é um caso, sem dúvida, cuja lenda pessoal se tornou mais conhecida do que a sua contribuição historiográfica, mesmo que esta última esteja longe de ter sido pequena. A história é bem conhecida, mas não custa relembrá-la rapidamente: com mais de 50 anos de idade, problemas físicos, uma carreira estabelecida como historiador medievalista e seis filhos, Bloch renunciou a todos os seus postos para lutar pela Resistência francesa após a invasão do seu país pelos nazistas e a instituição do regime colaboracionista de Vichy. Ele foi capturado pelos alemães no final de 1943, torturado e fuzilado, juntamente com outros resistentes, no início de 1944, perto de Lyon. Após o fim da Segunda Guerra, Lucien Febvre, o criador da revista Annales juntamente com Bloch, revelou o destino do amigo e publicou algumas obras póstumas, entre elas a famosa Apologia da História, que, desde então, foi sempre lida como uma espécie de testamento do historiador. No entanto, Becker mostra que não é apenas a Apologia que discute esta relação entre passado e presente, mas toda a obra de Bloch, inclusive os textos de história medieval.

            Existem muitos pontos a serem comentados sobre o texto de Becker, mas agora gostaria de me concentrar nessa questão do tempo presente, pois ela demonstra com profusão de fontes, incluindo a extensa correspondência entre Bloch e Febvre, como o primeiro não via nenhuma contradição entre ser um historiador e, ao mesmo tempo, um soldado, um patriota e um analista dos acontecimentos de seu tempo. Em outras palavras, a ideia muito difundida de que o historiador precisa de um certo distanciamento temporal para tratar dos fatos de seu tempo, de que uma história do tempo presente não poderia ser realizada, não fazia sentido para Bloch. Eu já conhecia A estranha derrota, texto que ele escreveu em 1940 logo após a invasão da França pelos nazistas e um dos primeiros exemplos dessa mesma história do tempo presente. Mas agora descobri que ele já fazia esse mesmo exercício desde a Primeira Guerra, inclusive com um texto teórico de 1921 sobre as falsas notícias da guerra que não poderia ser mais atual, com os negacionismos e as fake news do momento. Assim, defender que o historiador deve ser “neutro”, “objetivo”, “imparcial” (o que é, aliás, impossível na prática) é ir contra todo o legado deixado por Bloch, tanto em seus textos como no sacrifício de sua própria vida. Afinal, como ele mesmo diz na Apologia, citando um outro grande historiador, o belga Henri Pirenne: “O erudito que não gosta de olhar nem os homens, nem as coisas, nem os acontecimentos ao seu redor, merecerá talvez, como dizia Pirenne, o nome de um útil antiquário, mas será sábio se renunciar àquele de historiador”.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Organizações de trabalhadores na Roma antiga

 Uma das vantagens da Internet é que podemos ter acesso a livros raros que, anteriormente, só seriam encontrados em bibliotecas especializadas. Um exemplo é este aqui, Étude historique sur les corporations professionnelles chez les Romains, de J-P. Waltzing, publicado em francês em 1895, que descobri a partir de referências em livros mais modernos; é só criar uma conta no Internet Archive e se pode ler todos os quatro volumes desta obra clássica. 

As corporações profissionais do título são associações de trabalhadores, as antecedentes das chamadas "guildas", na Idade Média. Se, à primeira vista, esse pode parecer um tema histórico maçante e pouco importante, o primeiro parágrafo da introdução do autor liga o seu estudo a tendências bem interessantes, e inclusive modernas, da história. Ele merece ser transcrito por inteiro: 

"Os historiadores romanos se ocuparam muito pouco com as classes populares: naquela sociedade baseada na escravidão, o trabalho era desprezado, os artesãos e pequenos comerciantes não tinham nenhuma influência sobre a direção dos assuntos públicos, e foram durante muito tempo excluídos do exército. Assim, nos monumentos literários, nós só encontramos, sobre sua vida privada e suas associações, algumas frases insignificantes e frequentemente obscuras para nós. O historiador romano que não tem batalhas nem cercos militares para contar, que não pode descrever as guerras civis, encontra "seu assunto ingrato e seu trabalho sem glória" [citação de Tácito]. Mesmo sob o Império, quando as corporações de trabalhadores se tornaram uma engrenagem importante da administração pública, os autores raramente se referem a elas. Nossa tarefa é reunir essas menções esparsas" (tradução minha).

O raciocínio de Waltzing pode ser extrapolado para outras sociedades escravistas mais modernas, como o Brasil colonial e imperial e os Estados Unidos até o século XIX. Mas, mais do que isso, ele insere sua obra em uma tentativa de fazer uma história das "classes populares", o que é uma das aspirações da história em geral pelo menos desde a década de 1960, com a chamada história "de baixo", sob inspiração marxista. A ideia é falar das populações esquecidas pela história dominante, por motivos econômicos, sociais, raciais ou outros: os escravos, as mulheres, os trabalhadores pobres etc. Mais recentemente, um dos termos para designar estas populações é "subalternos", o que tem levado a uma profusão de trabalhos chamados de estudos subalternos; para fechar o post voltando à obra inicial, temos aqui uma Bibliografia/Subalternos e Populares na Antiquidade, de um laboratório de História Antiga da USP, na qual a obra de Waltzing é a mais antiga citada, demonstrando tanto que esta ainda é uma referência como que vários trabalhos mais recentes têm sido publicados sobre estas questões.     

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Historiografia no século XXI

Este post marca um novo direcionamento deste blog, que acompanha uma série de mudanças ocorrendo na minha vida, tanto no campo pessoal quanto no profissional. A ideia é começar a discutir algumas questões relacionadas ao campo que é chamado de Historiografia ou Teoria da História. Em linhas muito gerais, esse campo discute as obras dos historiadores, ou seja, é uma espécie de história da história. Discussões muito interessantes têm ocorrido sobre vários aspectos teóricos da história e do ofício do historiador, e tentarei trazer um pouco dessas discussões para cá. 

O título de "Historiografia no século XXI" foi escolhido pensando, pelo menos, em três questões diferentes: 1) Como é fazer a historiografia do século XXI, por assim dizer, o que significa historicizar o nosso próprio tempo, a época na qual eu e outros autores vivemos, sofremos todas as influências culturais etc. Muitos autores têm discutido a chamada "história do tempo presente", e acho essa questão extremamente relevante, além de interessante; 2) A partir da ideia do filósofo italiano Benedetto Croce, de que toda história é história contemporânea, discutir como autores atuais ou do fim do século XX têm trabalhado com questões teóricas que vêm desde vários séculos anteriores, como a periodização da história, o caráter literário e narrativo da história, as influências de outras disciplinas, tanto no campo das humanidades como fora destas, para a escrita da história etc.; 3) Por fim, tentar discutir se, no contexto atual, marcado pela desvalorização das humanidades e do conhecimento acadêmico, pela dificuldade de leitura de textos longos e mais densos por grande parte das pessoas e pela expansão das ferramentas digitais, dentro e fora da academia, ainda faz sentido discutir questões teóricas de historiografia; ainda é possível se fazer historiografia no século XXI? 

Se conseguir pelo menos esboçar alguns elementos de cada um desses três itens, acho que já terá sido um exercício produtivo.

Freud e as traduções

  Foi   publicada este ano na Inglaterra a chamada Revised Standard Edition ( RSE ) da obra de Sigmund Freud, em 24 volumes. É uma boa o...